domingo, 16 de novembro de 2014

Eu sou ‘apenas’ um enfermeiro?

Será que somos tão menosprezados porque aparecemos em fotos sorrindo junto aos pacientes, apenas como pessoas gentis e solidárias? Ou será que a sociedade não conhece o nosso verdadeiro papel? Prefiro acreditar na segunda opção… Não é porque os médicos aparecem na mídia “sérios” e dizendo “palavras curtas” que o nosso papel seja somente ser gentil e solidário, isso porque, antigamente, ocorria um recrutamento de religiosas para tornarem-se “enfermeiras”. Ao contrário, somos vorazes ao lutarmos para que os nossos pacientes recebam uma assistência de saúde efetiva. E quando falo de assistência, ressalto que, se não fossem os nossos olhos, ouvidos, mãos e boca, somados ao nosso conhecimento e experiência, muitos de nossos pacientes poderiam ter tido outro final. E nós sabemos quantos finais evitamos.

Pense, agora, em quantos pacientes foi você o responsável por sugerir a conduta… Quem foi reconhecido? Para quem o paciente agradeceu e disse que “salvou sua vida”? Tudo bem, a nossa missão foi alcançada, e nem por isso fomos dizer que o seu familiar “está salvo” porque “alguém” da enfermagem estava trabalhando.
Não é porque falamos de nossos pacientes de uma maneira sentimental que ficamos somente “conversando e acariciando” os mesmos nos plantões. Escutamos e conversamos, também, porque não se pode dissociar os aspectos subjetivos dos físicos e por a escuta qualificada, princípio da Política Nacional de Humanização, ser fundamental.
Pense, agora, em quantos pacientes foi você que evidenciou a parada cardiorrespiratória e iniciou as compressões cardíacas, sendo que, em quatro minutos, as lesões cerebrais poderiam ser irreversíveis?
Quantas vezes você escutou de pessoas que queriam te elogiar (mas não sabiam como): “Tu és tão inteligente que poderia se tornar um médico”. Quem disse que somos frustrados porque gostaríamos de ser médicos? Um enfermeiro competente não é sinônimo de um “quase médico”. O que diferencia a enfermagem da medicina é o objeto de estudo. Trabalhamos em equipe multidisciplinar, sendo cada profissão com sua devida (e não menor) importância.
Precisamos conscientizar, com voz e seriedade, que a enfermagem não é caridade. Entre tantas atribuições, somos responsáveis por todo o cuidado que o paciente recebe, detectamos as anormalidades no nosso exame físico (sim, nós também “examinamos” os pacientes), que podem guiar o tratamento.
É para responder a esses porquês que peço que sejam multiplicadores do nosso importante (e não só gentil) papel.
Enfermeira mestranda do programa de pós-graduação em Enfermagem na UFSM
EMANUELLI MANCIO FERREIRA DA LUZ
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