segunda-feira, 19 de setembro de 2016

OBVIO atualiza dados da violência letal no RN


O OBVIO(Observatório da Violência Letal Intencional do RN), apresenta uma nova atualização das mortes violentas ocorridas no RN, atingindo o período compreendido entre 1 de janeiro a 19 de setembro de 2016 comparado ao mesmo período dos anos de 2014 e 2015. 
Até o fim da noite de ontem (11/09/2016) foram 1403 CVLIS no RN. Os dados apontam para um aumento de 23,61% em relação à 2015 (que havia tido queda significativa até então). Em termos brutos, foram 268 mortes violentas a mais que no ano passado no mesmo período. Em 2014, até o mesmo período, foram 1280 CVLIS, contra 1135 em 2015. 2016, em termos de taxa, apresenta até agora a maior, com 40,76 homicídios por 100 mil habitantes, contra 32,97 em 2015 e 37,55 em 2014. Como pode ser observado ao longo dos dados divulgados por este Observatório, a taxa de 2016 ultrapassa em definitivo da taxa de 2014, a mais alta até então. 

No fim de semana (de 16 a 18 de setembro) foram 11 CVLIS nos municípios de Natal, que contou com um terço do total (4), seguido com Mossoró (2) e Touros, Ceará-Mirim, Parnamirim, Pedro Velho, Caraúbas e Touros com (1) um registro de CVLI cada. 

A concentração de CVLIS no Fim de Semana se deu no domingo, com cinco ocorrências (46%), seguidas por três nos demais dias (sábado e sexta) com 27% casa uma. 
A variação mensal, medida em percentagens, mostra um crescimento contínuo ao longo dos meses, sempre no comparativo dos anos anteriores (como exige a metodologia internacional). Neste sentido, enquanto no computo 2015-2014 apresentou-se quedas significativas, o biênio 2016-2015 vem apresentando quase que continuamente, aumentos expressivos. Longe de camuflar dados, o comparativo com anos anteriores deve ser adotado por evitar discrepâncias temporárias, que são comuns no tratamento de CVLIS. Importa atentar também que, quando se tratam de Condutas Violentas Letais Intencionais (homicídios, mortes violentas, etc.) somente comparativos a médio e longo prazo conseguem apontar uma "tendência" mais objetiva. Distorcer os números podem até servir para a propaganda de curto prazo, mas levam ao descrédito das informações junto à sociedade civil e à população. 

Como a tabela abaixo mostra, até este momento, temos uma variação de 42,7% a mais de CVLIS, onde os meses violentos se alternam, com uma única queda (julho), talvez dada a discrepância que esse mês apresentou em 2015, já que, naquele ano, foi o único de crescimento agudo. 
Natal continua apresentando aumentos significativos dos CVLIS, assim como Mossoró (que apresentou variação ainda maior). Embora haja queda no crescimento de CVLIS em relação aos meses anteriores, os dados do início do ano (janeiro a março) quando comparados ao período de abril a julho (aumento vertiginoso) e depois com agosto e setembro (queda de crescimento), só ratificam que, comparação mês a mês não possuem validade científica: (1) se não forem comparados com anos anteriores e no cômputo geral; (2) se não forem usados para nortear ações efetivas e planejadas de segurança pública. 
O Observatório da Violência do Rio Grande do Norte (OBVIO), assim como vem divulgando os dados quantitativos sobre a violência homicida no RN em geral, as chamadas Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIS), traz também os dados específicos relativos ao "feminicídio", ou seja, as mortes violentas e homicídios ocorridos com mulheres (como elemento motivador o fato de serem mulheres e mortes de mulheres em geral). 

Até ontem (11/09/2016) foram 70 femicídios no ano de 2016 no RN. Os dados apontam para uma diminuição de 9% em relação à 2015 (que contou com 79 femicídios no mesmo período e com 89 em 2014). Quanto aos feminicídios, 2016 segue com alta significativa de 9%, contando com 28 ocorrências, contra 19 em 2015 e 23 em 2014. 
A coleta e a consolidação é feita por meio da Metodologia Metadados, que interpola e concatena referências e dados de forma dinâmica e integrada para a devida credibilidade e celeridade dos resultados, destarte usada para construir um banco de dados independente, interligado com diversas fontes (Plataforma Multifonte) disponíveis aos pesquisadores. 
Thadeu Brandão e Ivenio Hermes 

*Coordenação do Observatório da Violência do RN, via O Câmera.

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