As notificações de dengue ainda continuam preocupando as autoridades de saúde do estado, mas em alguns municípios a incidência da doença vem caindo. O que já é uma boa notícia. Em Pau dos Ferros, na região do Alto Oeste, o número de notificações registradas por semana sofreu uma grande queda.
Confira na reportagem de Carlos Adams e Almir Morais
Mais um dia de trabalho e lá vem o agente pelas ruas da periferia de Pau dos Ferros. A missão de hoje? A mesma de ontem e a de amanhã: eliminar focos do Aedes Aegypti e o mais difícil de tudo: orientar a população quanto aos perigos da doença. Gildevan visita essas casas pelo menos duas vezes por mês e a cada nova parada o agente fica decepcionado com o comportamento de alguns moradores. Wigna, por exemplo, já foi alertada sobre os riscos de dengue, mas mesmo assim continua com dois reservatórios descobertos no quintal acumulando água. No primeiro não foi encontrado foco, mas no segundo: as larvas estavam lá.
O mais grave de tudo é que a dona de casa menospreza os riscos da dengue.
– É normal, acontece com qualquer um, diz a dona de casa, Wigna Maria de Oliveira, sobre a dengue.
– Na realidade a gente convence o morador quando ele fica doente. Quando acontece de uma pessoa ter a doença ai ela tem um pouco mais de cuidado, até então ela não tem esse cuidado. Por mais que a gente faça o tratamento o trabalho de pesquisa , mostra o foco pra ele , mas ele não assimila que possa ser uma coisa perigosa, é uma coisa normal - revela Gildevan Oliveira, agente de endemias.
Segundo a secretária estadual de saúde, esse ano cerca de 400 casos de dengue já foram notificados em Pau dos Ferros. É a quinta cidade potiguar com o maior número de notificações, atrás de João Câmara, Parnamirim, Mossoró e Natal. Hoje de todos os bairros de Pau dos Ferros, a incidência de focos é maior nos conjuntos São Benedito e Manoel Teobaldo, que enfrenta problemas de falta d’água e de calçamento nas ruas. Pra atender a todos os 30 mil habitantes do município, a prefeitura só dispõe de apenas 16 agentes de endemias, número que é insuficiente para a demanda. De acordo com a secretária de saúde local, uma nova seleção já está sendo providenciada.
– O município aprovou o projeto na câmara e está finalizando o processo seletivo para a contratação de mais 20 novos agente e com esse quantitativo a gente vai conseguir trabalhar pro alguns anos dentro dos limites que o ministério preconiza como bons - esclarece Fabrício Torquato, secretário de saúde de Pau dos Ferros .
Os casos de dengue ainda preocupam as autoridades de saúde de Pau dos Ferros, mas essa realidade já foi bem pior no início do ano .Em janeiro o município chegava a registra 40, 50 notificações por semana, hoje esse índice caiu para cinco ou seis, no máximo. Uma redução bem significativa que só foi possível graças a um trabalho do agentes e da população. E um exemplo desse esforço é o mutirão de combate a doença que acontece toda sexta-feira.
– Desde o início do ano que a gente faz todas as sextas-feira, com apoio da secretaria de obras, meio ambiente e os agentes da área que é feita o mutirão. Os agentes de endemias estão atuando no tratamento focal e o restante do pessoal na parte educativa - explica Robson Soares, supervisor de agente de endemias.
Além do mutirão, o município investe em materiais informativos de combate a doença como folderes e cartazes. Aqui também há a presença dos homens fumacê, que são estes agentes que saem as ruas despejando um veneno específico no combate ao Aedes Aegypti. Diferente do carro que precisa sair em horários estabelecidos, o homem fumacê tem mais liberdade pra trabalhar.
– Esse equipamento ele é diferenciado do carro fumacê justamente porque ele pode ser usado em qualquer horário do dia sete da manha, nove horas, dez horas, de acordo com a necessidade e as possibilidades de se trabalhar no município – esclarece Jackson Medeiros, supervisor de agentes de endemias.
O fumacê tem sua eficácia, mas os bons resultados só podem ser vistos com a colaboração dos moradores. E quanto a isso, Dona Francisca é um exemplo. A aposentada de 81 anos acumula água de chuva em vários depósitos, mas tem o cuidado de deixá-los sempre tampados.
– Tem que ser assim para não dá mosquito, nem mosca – diz a dona de casa, Maria Francisca da Conceição.
*J.Paulo
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Opine com responsabilidade sem usar o anonimato!
A Liberdade de Expressão... está assegurada, em Lei, à todo Cidadão,LIVRE!